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    publicado em: 14/03/2018
    Júpiter: O Guardião da Terra

    O irmão mais velho da Terra

    Júpiter é o maior planeta do Sistema Solar, todo mundo sabe mas não custa lembrar. Por causa de seu tamanho gigantesco, tem um papel muito importante na formação e evolução do nosso sistema planetário. Até mesmo com implicações no desenvolvimento e longevidade da vida na Terra. Com sua massa de aproximadamente 320 vezes a massa da Terra, ele atrai, desvia e até mesmo engole uma grande quantidade de cometas e asteroides errantes que, se não fosse assim, viria para as partes mais internas do sistema cruzando perigosamente a órbita da Terra. Numa dessas, um cometa a caminho do Sol resolve dar uma passadinha pela Terra e já era. Pergunte aos dinossauros.

    Além de ser o maior dos planetas no nosso sistema, Júpiter é também o mais velho deles. Isso é meio que esperado, pois o período para que todos os planetas se formem é quase igual para todos, então os maiores precisaram se formar antes, ou pelo menos começarem antes. O que ninguém sabia ao certo é quanto tempo antes.

    Uma boa ideia desse tempo foi apresentada por uma equipe internacional do Laboratório Nacional Lawrence Livermore, sediado na Califórnia, EUA. Segundo os pesquisadores, Júpiter se formou bem cedo, tipo 1 milhão de anos depois da formação do Sol. A nuvem que deu origem a todo o resto do Sistema Solar ainda não havia se dissipado e Júpiter já acumulava material suficiente para formar um núcleo com aproximadamente 20 massas da Terra. Tudo isso nesse primeiro milhão de anos. Depois, em um período entre 3 e 4 milhões de anos, Júpiter juntou massa equivalente a 50 vezes a massa da Terra.

    Essa conclusão veio da análise de meteoritos ferrosos que caíram na Terra. Os meteoritos ferrosos representam apenas 3% de todos os meteoritos recuperados na Terra e além do ferro eles carregam outros metais. Eles são verdadeiros testemunhos das condições iniciais do Sistema Solar, pois se formaram em seus primórdios e ficaram navegando pelo sistema até que vieram a cair na Terra, sem grandes alterações químicas. O fato é que analisando as quantidades de dois elementos químicos, o tungstênio e o molibdênio, a equipe de do laboratório nacional notou que havia dois grupos distintos, em um tinha mais tungstênio e em outro muito mais molibdênio. De acordo com os pesquisadores isso significa que se formaram em duas nuvens distintas, cada qual com sua abundância de elemento. Mas se eles fazem parte da mesma nuvem original do Sistema Solar, como não se misturaram? Júpiter se formou muito antes do que o tempo necessário para se misturarem e quando se formou, foi tão rápido que abriu um buraco no disco protoplanetário que manteve as duas nuvens separadas! Elas nunca tiveram a oportunidade de se misturarem e, com o tempo, cada qual formou seus asteroides com composições químicas diferentes.

    Uma consequência interessante dessa voracidade toda de Júpiter é que, acumulando tanta massa assim em um período muito curto de tempo, Júpiter impediu que mais matéria fosse transportada das partes exteriores do Sistema Solar. O que vinha de fora, não passou além de Júpiter, fazendo com que nosso sistema não tenha as super Terras, ou seja, planetas rochosos com o dobro ou o triplo da massa da nossa Terra e que vemos em tantos outros sistemas estelares. Isso também impediu a engorda de Urano e Netuno, chamados de anões gasosos. Mais ainda, nosso irmão mais velho ainda teria feito com que um terceiro anão gasoso, um outro Netuno em termos de tamanho, fosse ejetado do Sistema Solar e que agora estaria vagando distante, o chamado Planeta 9.

    A ideia de haver um núcleo rochoso em Júpiter, que tenha se formado rapidamente, vai de acordo com as mais aceitas teoria de formação desse gigante gasoso e é um dos objetivos de estudo da sonda Juno em órbita dele. Por enquanto, após a sonda ter feito apenas seis rasantes no planeta, não há nada de conclusivo, mas ainda temos que esperar mais um pouco.

    Uau, era um cometa?

    Não sei se você viu por aí, mas o caso do sinal Uau parece que não está encerrado. Logo depois que eu publiquei o post aqui abaixo começaram a surgir vários astrônomos questionando a hipótese de ter sido um cometa a causar essa confusão toda. As coisas ainda estão, digamos, nebulosas e um astrônomo norte americano sintetizou todos os questionamentos em uma lista de perguntas muito pertinentes, mas também contundentes e convidou o autor do estudo original a respondê-las. Até o momento ele não fez isso, mas assim que tivermos mais um round dessa discussão eu volto com mais novidades.



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